Na semana passada tive o desprazer de informar num vídeo para O Popular que um evento particular fecharia a quase única área de lazer da cidade, o Parque Cachoeira, para a comunidade local. Por conta da tal festa, tapumes foram colocados no entorno da área mais nobre do local, o Museu Tingui-Cuera não abriu as portas num feriadão prolongado e só teve acesso ao espaço público quem pagasse certa quantia. Resumindo: transformaram aquilo que é custeado com dinheiro público numa casa de shows para uma empresa particular.

Como se não bastasse, a ocupação da área pública para que um particular aferisse lucro foi feito a preço de banana. Míseros onze mil reais por quatro dias, incluído no pacote o que se consumiu de água e energia elétrica ao longo do evento. Resumindo: por qualquer ângulo que se olhe, aquilo não teve sentido.

Porém, como diz o ditado, há males que vem para o bem. Sim, porque, acredito, nunca antes na história deste Município, vi e ouvi tantas pessoas se questionando e questionando outrem sobre se o fechamento do Parque Cachoeira sob a justificativa de se realizar um evento particular que gerou entretenimento para uma cidade carente disso era mesmo correto. Graças ao bom senso, a grande maioria das pessoas, nas quais eu me incluo, parece ter chegado a conclusão de que, não, não é certo que alijemos o cidadão comum, o atleta de final de semana, as famílias que simplesmente gostam de passear no entorno do campo, entre outros, do nosso parque.

E não é correto que façamos isso nem sob a justificativa de que “em Araucária nunca tem nada”, de “que antigamente era cobrado entrada na Festa do Pêssego” e outros mimimis que muitos argumentaram e outros tantos se dignaram a responder no saudável, mas às vezes irritante, exercício do diálogo e do debate de ideias.

Araucária é sim carente de opções de entretenimento, assim como é carente de várias outras coisas. Mas não é certo que se descubra um santo para cobrir outro. Ou seja, não é tirando a quase única área de lazer dos cidadãos araucarienses por infinitos quatro dias para realização de uma festa travestida de cultural que se resolve o problema. Enquanto Araucária não ganha um área específica para eventos, o máximo que se pode aceitar no que diz respeito ao uso do Parque Cachoeira, um espaço que numa realidade perfeita deveria servir apenas à preservação ambiental e de lazer, e que os eventos que lá se realizarem jamais tenham sua entrada condicionada ao pagamento de ingresso. É, por exemplo, o que vai acontecer naquele local no início de julho, quando uma emissora da Capital promoverá em parceria com o Município uma ação de cidadania no local. Não se cobrará ingresso, as pessoas poderão andar pelo parque, ver alguns shows e ainda ter acesso a serviços públicos, tudo de graça.

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