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O ressuscitado se manifesta em comunidade


Somos seres sociais, e não conseguimos viver isolados, sozinhos, como se não tivéssemos necessidade do outro. A nossa natureza clama pela presença do outro, e nós só nos realizamos no encontro, na relação, na interação com o próximo. A solidão nos destrói, nos afeta, nos torna pessoas amargas e mal humoradas. No encontro com o outro nós nos renovamos, nos reerguemos, nos fortalecemos e tornamos a vida mais alegre e mais dinâmica. É tanto verdade isso, que um casal que vive muitos anos junto, na morte de um deles, sente profundamente a perda, a ponto de não querer viver mais. Claro, depois renova o seu propósito de viver, mas num primeiro momento, sente fortemente a dor da solidão, como se a vida não tivesse mais sentido e razão de ser vivida.

Jesus ressuscitado se manifesta em comunidade para os seus discípulos, sempre no primeiro dia da semana. Muito sugestiva e iluminadora esta realidade porque nos mostra o quanto é importante estarmos juntos. Em nenhum momento ele se manifesta a uma pessoa isolada, como se fosse um privilegiado e diferenciado. Para ele, o que faz a diferença, é o encontro, onde dois ou mais estiverem reunidos. Ali, ele também está presente, fortalecendo a fé daqueles que ali se encontram. A fé no ressuscitado só pode ser vivenciada e manifestada em comunidade.

Nas diversas aparições após a sua ressurreição, encontramos a figura emblemática de Tomé. Quando Jesus apareceu aos discípulos reunidos no cenáculo, num domingo, ele não estava presente. Duvidou a ponto de dizer que só acreditaria se tocasse nele, no lugar dos pregos. Exatamente sete dias depois Jesus aparece novamente e Tomé então o reconhece e exclama: ‘Meu Senhor e meu Deus’. Claramente, com estas manifestações Jesus quer incutir nos discípulos o espírito comunitário, o que será desde o inicio uma forte e determinante característica dos cristãos. Eles viviam em comunidade, partilhavam o pão e a palavra, dividiam seus bens e não havia necessitados entre eles.

Viver em comunidade é essencial para o cristão, na medida em que coloca a sua vida a serviço dos irmãos. Ninguém se realiza sozinho, ninguém consegue viver sozinho, mas mais do que isso, ninguém pode fazer a experiência do ressuscitado fechado em seu quarto, mesmo que debruçado em rezar muitos rosários. Por vezes as pessoas justificam a sua ausência na comunidade, dizendo que rezam em casa e que isso vale o mesmo que se estivesse reunido com os irmãos que professam a mesma fé. Não podemos negar a importância da oração individual, mas não é possível fazer a experiência do ressuscitado fora da comunidade. É ali que nós renovamos a nossa fé, a nossa esperança, a nossa coragem e nos motivamos para a semana que está iniciando.

Como é bom viver em comunidade. Como é bom participar da vida em comunidade. Como é lindo ver uma família deixar a sua casa no domingo, e dirigir-se para a Igreja e rezar junto com os demais irmãos de fé. Este encontro renova a sua vida, através dos cantos, da reflexão da palavra da Deus e da eucaristia. Como diz um velho ditado: ‘domingo sem missa, semana sem graça’. Quem é assíduo na participação da comunidade no domingo, pode com certeza confirmar esta verdade. Jesus, ressuscitado, vivo e triunfante, se manifesta todo domingo, em comunidade, como o Senhor da nossa história e da nossa existência. Ali, juntos, nos alimentamos da sua presença viva e real na eucaristia, força para nossa caminhada semanal.

 

 

Publicado na edição 1107 – 05/04/2018

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