Quando uma sociedade começa a não se importar com a atuação das pessoas que ocupam cargos públicos, isso pode ser a receita do fim de uma sociedade. Se queremos viver em comunidade harmoniosamente devemos, obrigatoriamente, sermos sérios com o que é público. E público entende-se como o que é de todos, onde todos devem se submeter às mesmas regras e onde tudo deve ter transparência.

Quando alguém se dispõe a assumir uma função pública deve saber que sua conduta será avaliada com uma minúcia e intolerância a desvios de caráter muito maior do que se fosse um cidadão qualquer. Tanto o que faz hoje, quanto sua vida pregressa serão escrutinados constantemente. O grande problema é que o comportamento médio de nossos políticos tem gerado tantas denúncias de casos de corrupção, nos mais variados graus, que essa preocupação em ser sério infelizmente parece estar deixando de ser a regra.

Justamente por isso que quando temos situações como a da reportagem que abre nossa página três desta edição, onde uma conselheira tutelar recebeu indevidamente o Bolsa Família, destinado a pessoas em situação de extrema pobreza, o caso deve ser apurado e, por mais justificativas que a pessoa tenha tido para fazer isso, punido. É bom que se ressalte ainda que, aqui, não está em jogo o valor do ilícito e sim à atitude. Ainda mais de uma pessoa responsável por zelar do direito de outros, no caso de menores em situação de risco. É uma pena chegarmos a esse ponto. Pense nisso e boa leitura.