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Pai é aquele que aponta o caminho

A palavra educação tem como raiz etimológica dois verbos latinos: educare, que quer dizer conduzir e educere, tirar de dentro. Educare compete ao educador, como aquele que conduz, aponta o caminho, ajuda a discernir o certo do errado e tem em suas mãos a condução do processo. Educere se refere ao educando, no sentido que, toda a ação do educador está em vista do seu crescimento. O grande objetivo da educação é saber intervir no momento certo, em vista do pleno desenvolvimento do educando. Sem a sua intervenção específica e contínua, o educando poderá tomar decisões que, mais tarde, afetarão de modo muito negativo o rumo da sua existência.

Neste sentido, o educador tem a nobre função de intervir de modo firme, mas também terno e delicado. Este binômio é essencial para que o educando possa aprumar a sua vida no caminho certo, e não guiado apenas por seus desejos e seus caprichos. A ação do educador é essencial, intervindo de modo firme e claro. Parece que hoje, por medo de causar traumas na criança, muitos pais se esquivam de exercer sua nobre missão de educar. Os ‘não’ são menos frequentes, evitando frustrações tão necessárias e decisivas para o crescimento do filho. Quem nunca recebe um ‘não’, dificilmente saberá conviver com as decepções da vida. Quem nunca foi educado para os limites, terá muita dificuldade em admitir que a sociedade nem sempre corresponde às suas expectativas.

A missão dos pais é essencial para um desenvolvimento saudável do filho. São eles os orientadores e aqueles que deverão apontar o caminho, através da sua experiência e da sua vivência. Os pais não podem se esquivar desta sua tarefa, com medo de frustrar ou de traumatizar. Existe um velho ditado que diz: os filhos que não choram quando crianças farão seus pais chorarem depois de adultos. Ou seja, quando o não existe, geralmente não é entendido no momento e pode causar choro e mal estar. Porém, mais tarde ele será assimilado e ajudará o educando a valorizar a sua própria vida.

Celebramos o dia dos pais, daqueles que são os nossos educadores por excelência. Pessoalmente, serei eternamente grato ao meu pai, que impôs muitos limites na minha educação. Eles foram essenciais para que eu pudesse valorizar a luta, a busca, a conquista, porque nada vinha de graça. Tudo tinha seu preço e por isso, um grande valor. Seu olhar bastava para dizer que ele não concordava com certa atitude e me colocava no meu lugar. Claro, você dirá que são outros tempos, mas tem coisas na vida que não se negociam, porque fazem parte da essência e dos valores que simplesmente são insubstituíveis. Engana-se o pai que acha que dando tudo materialmente falando, está dando o essencial.

A missão de um pai continua sendo aquela de presença firme, mas terna ao mesmo tempo. Os filhos não podem simplesmente fazer o que bem entenderem. Eles precisam crescer, pautados por uma série de limites, claro, na medida certa. Assim como a semente precisa de sol e chuva para crescer, o ser humano também necessita de podas e ternura, de modo equilibrado, para o seu pleno e sadio desenvolvimento. Parabéns para você que é pai e aceitou esta difícil, mas nobre arte de educar. A sua firmeza na condução da vida do seu filho, permeada pela ternura, são essenciais para que o seu harmonioso desenvolvimento. Minha prece por você que é pai, através de uma presença que saiba equilibrar ternura e firmeza ao mesmo tempo. Parabéns papai pelo seu dia e felicidades. Você merece.

Publicado na edição 1175 – 08/08/2019

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