Acompanhei nos últimos dias a repercussão quanto à decisão anunciada pelo prefeito de unificar algumas secretarias municipais como forma de enxugar a estrutura administrativa da Prefeitura, otimizando recursos gastos com o excesso de burocracia que muitas vezes vemos na administração pública.

 

Eu particularmente gostei da ideia. Ah, ela é eleitoreira? Talvez! Eu penso que sim, mas considerando que estamos num país onde a grande parte das ações que nossos políticos tomam é eleitoreira, nunca me furto de defender aquelas medidas eleitoreiras que realmente representam um ganho para a nossa sociedade.

 

No caso específico da unificação de secretarias, sou super a favor. Afinal, não tem cabimento que uma cidade com pouco mais de 120 mil habitantes tenha dezenove secretarias e três companhias. Ou seja, 22 pastas. É muito cacique pra pouco índio.

 

Diante desse inchaço da máquina pública municipal é essencial que se promovesse essa redução. O que é triste, porém, é o fato de muitas pessoas, ao invés de defenderem essa medida, perderem tempo a combatendo ou simplesmente a criticando, tudo para que mantenham uma reserva de mercado, a qual na prática não significa necessariamente a garantia da efetiva política pública para aquela área.

 

É medíocre, por exemplo, a defesa que alguns fazem da manutenção de uma secretaria de Cultura e outra de Esporte, combatendo a proposta de unificação das duas, como se o status de secretaria representasse a efetiva garantia de que a população está tendo acesso a serviços de cultura e esporte. Com isso, perde-se tempo brigando para que tenhamos secretarias para chamarmos de nossa enquanto a verdadeira briga que deveria estar sendo travada é para que a cidade tivesse – repito – políticas públicas adequadas de cultura e esporte para a nossa população.

 

Também é impressionante como aqueles que defendem a manutenção da secretaria de Cultura parecem ter elegido os desportistas como seus inimigos e vice-versa, numa briga que lembra aquelas da quarta série para ver quem iria utilizar a quadra ou sala de vídeo naquele dia. O que essas classes parecem não enxergar é que, enquanto eles focam suas energias nas brigas erradas, o grosso dos recursos públicos de nossa cidade segue sendo empregado em outras áreas, menos na de Cultura e Esporte.

O que precisaríamos neste caso específico da unificação das secretarias de Cultura e Esporte não é que seus beneficiários brigassem pela manutenção do status quo e sim que eles se unissem e lutassem para que o orçamento da pasta resultante fosse bem maior do que é hoje. Essa sim seria a briga inteligente.

 

Apenas como um exemplo benéfico dessa unificação, temos a economia só com o salário de um secretário municipal, que representa algo em torno de R$ 200 mil a menos aos cofres da Prefeitura, dinheiro este que poderia ser investido na – de novo, repito – efetiva política pública de cultura e esporte para nossos cidadãos. E olha que estamos falando do corte de apenas um cargo. Se a unificação for feita de maneira correta, chegamos fácil aos R$ 2 milhões de economia só com despesas administrativas geradas por estas pastas. Como já disse, fica a torcida para que simpatizantes da cultura e do esporte coloquem a mão na cabeça e entendam que a briga boa a ser travada é para que toda a economia gerada com a unificação seja reinvestida em projetos de cultura e esporte que beneficiem a base. Já a briga ruim é essa que vemos agora pela manutenção das secretarias como estão, o que só beneficia meia dúzia de burocratas que não perderão seus cargos e seus gordos salários.

 

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