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Por mais vereadores


Existem duas maneiras de analisarmos o projeto de emenda à Lei Orgânica do Município que tramita pela Câmara de Araucária para aumentar o número de vereadores de onze para quinze a partir da próxima legislatura.

A primeira é a mais fácil, a que está mais de acordo com o senso comum na atualidade. Por este aspecto, político é tudo safado, qualquer ação tomada por eles é baseada em interesses corporativos, cujo objetivo final é dar um jeito de roubar dinheiro público, ou favorecer algum chegado.

A segunda é um pouco mais difícil. Ela procura ver um pouco além da próxima esquina. Entende que o Legislativo é, em sua essência, o Poder onde estão os representantes da sociedade. Entende que o parlamento precisa reunir à diversidade da população, que os edis são a voz dos mais diversos segmentos da comunidade araucariense e assim por diante.

Houve um tempo que eu analisava essa questão pela forma mais fácil. Ou seja, a primeira. Mas mudei radicalmente de opinião quando esse pensamento me levou a uma dúvida, digamos assim, hamletiana: ora, se o legislativo é tão ruim assim, para que parlamento. Fechar ou não fechar a Câmara, eis a questão?

Sim, porque se o aumento de vereadores é tão nocivo à sociedade, melhor seria que ele não existisse. Se há quem chegue ao disparate de afirmar que não precisamos de mais quatro vagabundos lá para, assim como os outros onze, não fazerem nada, algo está muito errado. Afinal, admitamos ou não, aqueles vereadores são sim nossos representantes. Nós o colocamos lá. Eles são o espelho da nossa Araucária. Logo, se eles são vagabundos, nós também o somos. Se eles são corruptos, de certa forma, nós também.

Justamente por isso, prefiro acreditar que o Poder Legislativo não é o problema. Até porque pensar diferente seria ferir de morte o nosso modelo de democracia. Justamente por isso, penso que aumentar o número de vereadores é salutar. É até necessário para dividirmos melhor a estrutura à disposição de cada gabinete daquela Casa de Leis.

O número atual de cadeiras, de certa forma, fez com que se criassem super-vereadores, cada qual com sua mega estrutura e, creio eu, é por isso que tem edil que se diz ferrenho defensor da manutenção das vagas em onze. Não se trata de uma defesa dos interesses da coletividade e sim dos interesses que rodeiam seus umbigos.

Obviamente, não devemos entender que o aumento de vagas na Câmara inviabiliza uma discussão sobre o tamanho do orçamento destinado ao Legislativo, muito menos ao número colossal de assessores a que cada um tem direito. Sejam os vereadores, onze, quinze, dezessete até… não tardará para que vossas excelências tenham que colocar em pauta esse tema, seja por iniciativa própria, seja por imposição de uma força maior.

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