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Por uma cultura de paz

Por mais que tentemos disfarçar o incômodo e continuemos nossas rotineiras disputas políticas, ideológicas ou religiosas, todos estamos desconfortáveis com o sangrento episódio terrorista que atingiu Paris. A capital da França, conhecida como Cidade Luz, é um símbolo caro para todos os que vivem no hemisfério ocidental e certamente é admirada em todo mundo. Mesmo aqueles que têm costumes e crenças diversos aos praticados nas democracias do ocidente, reconhecem que lá vigora um ambiente de liberdade individual e coletiva. Mesmo quem ainda não teve a oportunidade de conhecer a Cidade Luz, como é o meu caso, sabe que ela tem recebido inúmeros refugiados e que nela eles encontraram um lugar para criar seus filhos, embora ainda hajam episódios de preconceito e racismo. Grande parte dos refugiados é adepta do Islamismo e a maioria deles rejeita o terror e a violência. Neste exato momento, enquanto sossegadamente refletimos sobre o drama e a tristeza causados pelo terrorismo, milhões de refugiados da Síria e do Iraque, por exemplo, vagueiam sem rumo pela Europa. Barrados por cercas, rejeitados, levando rasteiras e sendo-lhes jogados lanches para amenizar a fome que os ataca de forma mais rústica e estúpida do que aquela que os criadores racionais de suínos utilizam para com seus animais. Em meio a tudo, longe de sua terra natal, seguem carregando apenas seus filhos até encontrar um local que os acolha. Na verdade, nem podemos refletir tão tranquilamente sobre esta e outras tragédias humanas que acontecem no velho continente. Em nosso paraíso tropical estamos sempre temerosos e à espreita do compatriota que se aproxima e que poderá nos assaltar. Por míseros trocados vidas são ceifadas na flor da juventude pela violência que nos assola e que despreza o valor maior que é a existência. Nossos recursos naturais, que deveriam estar disponíveis às futuras gerações, estão sendo soterrados no mar de lama gerado pela ganância. Na França, logo após os atentados, medidas repressivas foram desencadeadas e aviões foram lançados para bombardear posições do Estado Islâmico. Da mesma forma, muitos clamam pela redução da maioridade penal e pela adoção da pena de morte para diminuir a violência no Brasil. Não sei apontar a solução direta e definitiva para a questão do terrorismo no mundo e para a diminuição da criminalidade em nosso país a níveis toleráveis. Tenho certeza, no entanto, que não será “libertando” países de culturas muito diferentes da ocidental dos chamados ditadores e apoiando o aumento da violência no combate ao crime que construiremos um mundo melhor. A propalada “libertação” tem causado a destruição de países e a repressão pura e simples torna os criminosos mais violentos. O que precisamos mesmo é criar uma Cultura da Paz.

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