Dona Hilda deve ter seu nome confirmado como vice na terça-feira. Foto: divulgação

O prefeito Hissam Hussein Dehaini (Cidadania) deixou temporariamente o comando da Prefeitura de Araucária no último sábado, 5 de setembro. Com isso, até o próximo dia 18 de setembro, a cidade está sendo novamente administrada pela vice-prefeita, Hilda Lucalski.
O fato de ter tirado esses 14 dias de férias justamente no período em que serão realizadas as convenções municipais para escolha dos candidatos a prefeito e vereador a partir de 2021 tem sido encarado por muitos que vivenciam o dia a dia da política local como a prova cabal da confiança que Hissam tem em sua vice.

Quem não vivencia muito o dia a dia da política municipal pode até considerar a análise acima uma obviedade. Afinal, quem teria como vice alguém em quem não confia? O que parece óbvio, porém, em política nem sempre o é. Sabe-se que não raramente os vices são escolhidos não por afinidade e confiança e sim por acordos partidários.

Em Araucária mesmo, revisitar as chapas que venceram as eleições municipais ao longo dos últimos trinta anos é se deparar com histórias de prefeitos e vices que, ou não se suportavam ou simplesmente não confiavam um no outro e ponto.

Na gestão 1997/2000, por exemplo, tivemos Rizio Wachowicz escanteando Hino Dirlei Falat Pereira de Souza, isolando-o no gabinete de vice. Na gestão 2001/2004, embora tentassem manter as aparências, todos sabiam que Albanor José Ferreira Gomes e Olizandro José Ferreira travavam uma guerra fria por espaço político. Tanto é que na eleição de 2004, quando teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta da falência da Mega Cred, Zezé não queria Olizandro assumisse a chapa. Este, porém, bateu o pé. Conseguiu ser o candidato e, aos poucos, foi escanteando a turma de Albanor que permanecia na Prefeitura.

A maldição do cargo de vice se seguiu com Olizandro e Clodoaldo Pinto Junior ao longo da gestão 2005/2008. Tanto é que era público e notório que ambos romperam a partir do final do segundo ano de gestão. Na administração 2009/2012, quando a Prefeitura foi comandada por Zezé com Isac Fialla na vice, a tensão foi menor, mesmo assim sabia-se que a dobrada com Isac incluiu a divisão da governança e que isso gerou alguns estresses ao longo do mandato.

Entre 2013 e 2016, novamente, o que se viu foi um prefeito e um vice que não compartilhavam as mesmas ideias e intenções. Olizandro, sabe-se, aceitou Rui Sérgio Alves de Souza como seu companheiro em razão da importância que o PT tinha na época. Ao longo do mandato, porém, eram várias as histórias em que um teria tentado boicotar o outro.

Todos esses relatos de armações, traições e desentendimentos, porém, não se viu ao longo da atual administração. Dona Hilda foi uma dama na vice-prefeitura. Se comportou como todo vice que lê a Lei Orgânica do Município deveria se comportar e só apareceu quando foi convocada pelo prefeito para lhe substituir.

E com esse comportamento exemplar, sem levantar o tom de voz, sem apontar o dedo a quem quer que fosse, Dona Hilda estraçalhou qualquer um que eventualmente tenha tido interesse, mesmo em sonhos, de ficar com a vaga de vice na chapa de Hissam. Não há tal possibilidade. E não porque não existam outros bons nomes para ocupar a vice. E sim porque para este posto Dona Hilda sempre será melhor. E Hissam sabe disso.

Texto: Waldiclei Barboza

Publicado na edição 1229 – 10/09/2020