A iniciativa de alguns vereadores de aumentar os próprios salários a partir da próxima legislatura revoltou quase a totalidade dos moradores de Araucária. A ação vem sendo orquestrada por um grupo de parlamentares e foi trazida à tona em matéria veiculada na última edição de O Popular, que foi aos pontos de venda na última quinta-feira, 13 de junho.

É preciso dizer que do ponto de vista legal não há qualquer ilegalidade na proposição do reajuste que elevará os vencimentos de um edil dos atuais R$ 5.992,00 para mais de R$ 12 mil mensais. Algo em torno de 110% de aumento. A ilegalidade é afastada porque a legislação brasileira permite que os vencimentos dos vereadores em cidades que possuam entre 100 e 300 mil habitantes sejam de até 50% do que ganha um deputado estadual.

Porém, quando estamos falando do bom uso dos recursos públicos, nem só a legalidade deve ser sobrepesada. É preciso também ponderar até que ponto aquilo que se propõe é moral. E é esta a pergunta que os vereadores efetivamente preocupados com a cidade de Araucária deveriam se fazer quando pensam em reajuste dos próprios vencimentos. É moral falar num aumento de 110% enquanto o servidor concursado vai ter pouco mais de 5%? É moral um edil ganhar R$ 12 mil enquanto algo em torno de 30 mil araucarienses enfrenta dificuldades para se alimentar adequadamente todos os dias? É razoável que o parlamentar eleve seu subsídio ao teto constitucional enquanto os índices de desemprego no Brasil e, por consequência, em Araucária são extremamente elevados?

Ora, dificilmente o vereador que possua sua bússola ética razoavelmente alinhada com as necessidades da população conseguirá responder positivamente alguma das perguntas acima. Por consequência, não é admissível que se fale em mega reajuste aos parlamentares neste momento da economia brasileira. Fiquemos todos atentos aos próximos passos dessa tramitação, até para que não sejamos surpreendidos com uma aprovação vergonhosa destas no apagar das luzes.

Publicado na edição 1168 – 19/06/2019

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