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Proteger-se da intolerância

A comunicação instantânea livrou-nos do déficit temporal que havia entre a ocorrência dos fatos e o choque e a indignação que eles nos causariam. Há ainda a vantagem de podermos acompanhar acontecimentos nos diferentes cantos do planeta em tempo real e formar juízo sobre causas e consequências. Na contrapartida ficamos muito mais expostos aos destaques dos meios de comunicação. Na maioria das vezes, o critério de distribuição do espaço na grande imprensa está embasado no posicionamento político e ideológico dos proprietários das empresas de comunicação ou calcado na orientação dos patrocinadores conhecidos e ocultos. A enorme quantidade de notícias negativas e a exaustiva divulgação de tragédias como as do Caso Nardoni pode levar a tal grau de exasperação que nos faça ver tudo com um aspecto sombrio. A partir deste ponto de saturação teremos um elevado grau de intolerância com o que nos parece estar errado ou fora de lugar. Abro um parêntese no raciocínio para destacar a importância positiva apresentada por veí­culos como “O POPULAR DO PARANÁ”, ao abordar assuntos predominantemente voltados à realidade da comunidade de Araucária e manter-se disposto a abrir espaço ao contraditório. Assim tem me parecido ao longo de sua trajetória. Não é a toa que O POPULAR recebeu da ADJORI/PR – Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Paraná o título de Melhor Jornal do Interior do Paraná, após vencer em cinco categorias e conquistar o Troféu Araucária de Jornalismo 2015. Além de trazer informação de interesse da comunidade em que circula ele tem preservado espaço às opiniões divergentes que podem até contraditar a linha editorial. Tal postura me motivou a colaborar com este periódico. Há praticamente dois anos ocupo ininterruptamente este espaço, nas sextas-feiras, onde tento privilegiar a reflexão que continuamente precisamos praticar. Hoje alertarei sobre os riscos da intolerância está em espiral de crescimento. Nossa sociedade baseada no consumismo e na competição tem levado as pessoas a uma constante insatisfação. A doença da depressão cresce em todas as classes, camadas e faixas etárias da sociedade. O número de pessoas que buscam o estímulo químico para seguir em frente cresce a cada dia e preocupa os estudiosos da saúde e do comportamento humano, pois somente em alguns casos o uso de medicamentos seria indispensável. A frustração com aquilo que não está como queríamos que estivesse; ou que não se parece com o que ocorre nas novelas e que não está como os comentaristas dizem que deveria estar; representa ser a fonte da insatisfação que se espalha. A dor da existência, que atinge os seres humanos pela sua própria natureza mortal e desamparada, é agravada nesta avalanche de negativismo a que estamos submetidos. Para enfrentá-la nada é melhor do que observar o que cantava Wando na canção Gazela: “E vou dar um conselho pra vocês/ Cometam amor porque amor faz bem/ Ao espírito, ao coração”. Amor e intolerância são incompatíveis.

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