O conceito de Racismo Institucional foi definido por ativistas integrantes do grupo Panteras Negras em 1967, para especificar como se manifesta o racismo nas estruturas de organização da sociedade e nas instituições – especialmente locais de trabalho.

De acordo com a professora e pesquisadora Márcia Pereira Leite, “ No Brasil, os negros sofrem não só a discriminação racial devida ao preconceito, mas também o racismo institucional, que inspira políticas estatais que lhe são dirigidas e se materializa nelas”.
Infelizmente, os indicadores de racismo institucional no Brasil são alarmantes e denotam práticas cotidianas. As empresas nacionais lideram o ranking de minoria negra contratada. Além disso, é comum negros terem salário menor do que brancos, mesmo quando exercem a mesma função -e o índice é ainda mais alarmante quando se trata de mulheres negras.

Em 2016, a pesquisa nacional do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que as taxas de desemprego eram maiores entre negros e pardos, que também recebiam menores salários. A renda média mensal foi estimada em R$ 2.043,00. Brancos recebiam em média R$ 2.660,00. Em média, pardos recebiam R$ 1.480,00 e negros apenas R$ 1.461,00. Porém, o racismo institucional não se limita às diferenças salariais.

A população negra no Brasil é representada por mais de 54% da população. A baixa renda entre a maioria dos negros dificulta o acesso à educação, e consequentemente é mais difícil para um negro se manter em uma universidade, por exemplo – mesmo que seja bolsista ou cotista. Assim, negros têm mais dificuldade de acesso ao ensino universitário. Quando se trata de cursos “elitizados” então, o percentual é menor ainda.

O estado, por mais que tenha uma aparente política pública para a promoção da igualdade, não desenvolve na prática ações para conscientização da população em repensar suas práticas e observar condutas racistas veladas.

Em Araucária, existe o Fórum de Combate ao Racismo. O Fórum se constituiu a partir de episódios racistas sofridos pela trabalhadora Janete Martins, que recebeu cartas com teor de ameaças em função de sua cor. Cartas explicitamente racistas e com caráter de ódio. O Fórum promove ações de resistência, conscientização e combate ao racismo.

É preciso estabelecer e ampliar o debate para toda a sociedade. O sistema de cotas, apesar de ser um importante mecanismo de inclusão, por si só não resolve o problema do racismo institucionalizado. Precisamos de ações e investimentos para evoluir e caminhar para a plena igualdade.

 

Publicado na edição 1107 – 05/04/2018