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Senti-me provocada a fazer algumas reflexões com e para vocês…

Milito nesta causa desde que nasci, me pego pensando nas inúmeras vezes que estive fazendo palestras, oficinas, manifestações ou coisas dessa natureza em diversas unidades deste município. Peço a vocês, educadores de escola pública, onde a sua maioria é preta e pobre, com consciência ou não de seu pertencimento, que este momento de combate ao racismo, não seja somente quando morre um aqui ou ali.

Vocês já sabem, ou deveriam saber, que morre a cada 23 minutos no Brasil um jovem preto. Há aumento do feminicídio das mulheres negras… E isso não vem mudando o quadro sobre o aumento das ações racistas.

Peço a vocês também, que pensem sobre o privilégio de ser não negro neste país, quantas portas se abrem somente pelo sobrenome de muitos e me perdoem, não quero ser agressiva, embora o racismo brasileiro nunca tenha sido comigo, nem com os meus…

Quero somente que todos se permitam fazer o exercício de andar na rua e a polícia abordar, e digo aqui, tanto meninos quanto meninas!

Quero que vocês que se dizem não racistas, parem de romantizar o crime de racismo!

Se você achou acidente o que aconteceu com o Miguel, avalie seu racismo…

Se você achou que foi uma fatalidade a morte de João Pedro com 14 anos, avalie seu racismo…

Se você acha que estou exagerando, avalie seu racismo…

Mas pare de falar palavras que nós usamos como: sou antiracista, vidas pretas importam, entre outras.

Agora se você sentiu-se incomodado com uma das minhas frases, que bom!

O racismo não é meu nem do meu povo!

O que nós pretos e pretas queremos é que parem de nos matar e nos deixem viver com o mínimo de dignidade!

E para quem não sabe, subiram as cotas raciais neste município de 10% para 20%, lei que está para ser sancionada em poucos dias e se você pensa em ser contra (Kkk), avalie também seu racismo!

Que este momento, enfrentado por nós, sirva para mudar seu jeitinho racista brasileiro de agir!

Marcia Reis, pedagoga do Município de Araucária, militante das questões raciais e de gênero do Grupo Africanidades Araucária (GEAA/2007), do Instituto afro brasileiro do Paraná (2016), do Fórum de Combate ao Racismo de Araucária (2016) e do Coletivo Feminino de Araucária (2020). Acadêmica de direito, participei como Consultora da Comissão de Igualdade Racial de Araucária (2017). Atuo como diretora da Escola Municipal Marcelino Luiz de Andrade (2020/2022).

Publicado na edição 1217 – 18/06/2020

Reflexões de Rochelle por Marcia Reis - notícias da SMED  - O Popular do Paraná
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