Home / Colunas / Júlio Telesca Barbosa / Remédio errado ou mal aplicado é letal

Remédio errado ou mal aplicado é letal

Os médicos e outras pessoas que possuem conhecimento adquirido por estudos ou experiências de vida costumam alertar que “É a dosagem que faz o veneno”. A toxicidade é medida pela DL 50, ou Dose Letal da substância necessária para matar 50 % de uma população considerada. O Arsênio é um elemento químico reconhecidamente tóxico para os seres humanos e exerceu um papel destacado na medicina antes do surgimento dos antibióticos. É óbvio que a dosagem do veneno utilizada em pílulas, poções e aplicações externas era baixíssima e muito controlada. Recentemente milhares de pessoas morreram intoxicadas por Arsênio originário de poços perfurados em áreas contaminadas de Bangladesh. A banana é um alimento que foi destacado pelo tenista Guga Kuerten durante sua carreira. Ele costumava ingerir esta fruta durante as partidas de tênis devido ao alto teor de Potássio apresentado e sua ajuda na prevenção da cãibra. No entanto, um ser humano que hipoteticamente conseguisse comer 480 unidades da fruta encontraria a morte. Cloreto de potássio é o composto químico utilizado nas injeções letais que fazem cessar os batimentos cardíacos dos condenados à morte. À luz deste raciocínio sobre a dosagem é que analiso a grave crise política instalada na política brasileira, com a admissão de um pedido de impeachment presidencial. A Constituição da República diz, no caput do Artigo 86, que a aplicação de tal instituto exige o cometimento de crime(s) de responsabilidade e que a comprovação dos supostos crimes deverá ocorrer na vigência do mandato. O governo da Presidente Dilma Roussef enfrenta um momento de baixíssima popularidade e poucos brasileiros se disporão a sair às ruas para defender o mandato que lhe foi conferido pelas urnas. Assim, o destino da jovem democracia brasileira repousa na consciência dos que venham se dispor a participar de manifestações que peçam seu afastamento, com base nas ditas pedaladas fiscais. É fato notório que pouco mais de 15 dias depois da posse da presidente, forças derrotadas nas urnas já pediam pareceres para iniciar um processo de impeachment do mandato atual. A decisão de acolher o processo foi uma represália a negativa de apoio ao engavetamento do processo de investigação de irregularidades que teriam sido cometidas por Eduardo Cunha, conforme documentos de contas bancárias enviados da Suíça. Embora pairem suspeitas da ocorrência de práticas indevidas na última campanha eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral-TSE homologou normalmente o resultado das urnas e diplomou a chapa eleita. Na democracia a escolha dos representantes é processada nas urnas e não por índices de popularidade ou para atender a vontade de quem grita mais alto. É fundamental respeitar o que prescreve a Constituição Federal e as demais leis brasileiras. Diversos compatriotas sacrificaram suas vidas para que conseguíssemos atingir o atual estado de liberdade e a existência da democracia. É um período ainda pequeno de vigência democrática, embora já longo para a nossa história política. A responsabilidade que pesa sobre nossos ombros é verdadeiramente gigantesca e decisiva para o futuro do Brasil. É preciso assumi-la com sabedoria e total respeito às normas democráticas.

Sobre Julio Telesca Barbosa

Avatar

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios *

*