A matéria que abre a página 32 desta edição impressa de O Popular relata um daqueles casos capazes de fazer com que as pessoas se questionem até ponto pode ir a maldade humana.

O caso em questão é de um adolescente encontrado morto na semana passada num matagal na região do bairro Costeira. Familiares do jovem disseram às autoridades que ele era usuário de drogas e estaria envolvido com a venda de entorpecentes como forma de bancar o vício.

A morte de um adolescente de dezessete anos por si só já é uma derrota do Estado, incapaz de oferecer tratamento adequado aos viciados e/ou de combater o tráfico de maneira eficiente. E, ao não fazer nenhuma coisa nem outra bem feita, acaba é criando um ciclo vicioso de criminalidade.

Na morte relatada em nossa página 32, esse ciclo de criminalidade ganha contornos ainda mais repugnantes em razão da morte não só do adolescente, mas também de seu cão de estimação, enforcado muito possivelmente pelos mesmos algozes do jovem como uma forma de causar-lhe ain­da mais sofrimento.

Alguns podem até considerar exagero que se dê tanta atenção ao cão morto diante de um caso que a sociedade em que vivemos considera mais grave, que é o assassinato do ser humano. Outros, tendo em vista o momento de ra­dicalismo que se vê no país, podem entender justamente o contrário. Ou seja, que brutalidade maior foi terem tirado a vida do cão.

No entanto, respeitado o direito ao livre pensamento, o pior desse caso é saber que ainda estão à solta pelas ruas de Araucária os autores desse triplo crime: vender a droga, matar o drogado e assassinar o cão! Pensemos nisso e boa leitura.

 

 

Publicado na edição 1106 – 29/03/2018

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