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Revolucionários de Facebook


 

Não há dúvidas de que o advento das redes sociais elevou o exercício da cidadania a um novo patamar. Hoje, por meio de um celular conectado a rede mundial de computadores, o cidadão consegue se inteirar do que está acontecendo em diversos cantos do mundo. Porém, essa facilidade no acesso à informação, por mais contraditório que possa parecer, tem nos tornado cada vez mais distante da necessária participação social que deveríamos ter do que anda acontecendo em vários setores. Saber de algo é muito diferente do que participar daquele algo.

Digo isso porque, cada vez mais, as pessoas estão tendo a equivocada ideia de que um curtir em determinada postagem feita no Facebook ou mesmo um comentário de apoio ou indignação a algo o torna um cidadão de verdade. A mesma lógica, claro, vale para as outras redes sociais existentes mundo afora. Cito o Facebook porque pesquisas dão conta de que, pelo menos em Araucária, ele reina absoluto.

Obviamente não estou querendo menosprezar a importância das redes sociais. Elas têm sim revolucionado as formas de comunicação em nossa era.

No entanto, quando se trata do exercício da cidadania, a participação, digamos assim, presencial, segue sendo indispensável.

Nos últimos dias, por exemplo, li e recebi centenas de mensagens por meio do Facebook criticando a decisão da Secretaria de Meio Ambiente de cortar algumas dezenas de árvores plantadas ao longo da Avenida Victor do Amaral. Ora, embora esses gritos virtuais até tenham que ser levados em conta, nada vai mudar o fato de que, na audiência pública promovida pela Prefeitura para discutir o assunto, compareceram meia dúzia de gatos pingados. Ou seja, as pessoas seguem acomodadas. Adoram dar suas opiniões protegidas pelo aconchego de seus lares, no intervalo de uma novela, do que encarar uma noite fria para sentar num banco de igreja ou algo assim e efetivamente debater situações de sua cidade.

Utilizei o exemplo da audiência pública do plano de arborização, mas ele bem poderia ser aplicado a outros casos. Na semana passada, por exemplo, uma audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores para discutir a igualdade racial atraiu menos gente do que torcedores a um jogo do Paraná. Um absurdo! Ainda mais quando levamos em conta que dia desses mesmo, quando uma moradora de Araucária foi vítima de ataques racistas, choveram mensagens em seu apoio na internet.

Outro bom exemplo: a recente conferência de saúde realizada no plenário da Câmara. O tema, eleito por nove em cada dez araucarienses como o principal problema da cidade, sequer conseguiu fazer com que as cadeiras daquele espaço ficassem ocupadas. No Facebook, porém, sempre que uma denúncia em relação ao atendimento neste ou naquele centro vem à tona, o que não falta é justiceiro cobrando mais investimentos do poder público para essas áreas.

Resumindo tudo isso: queremos serviços públicos melhores, mas não estamos realmente dispostos a lutar por isso. Até nós dispusemos a apoiar essa ou aquela causa, mas desde que isso possa ser feito de casa mesmo, com um curtir, um compartilhamento… sem atrapalhar a nossa vidinha pacata, que muitas vezes nem tem lá muita graça. Enfim, somos é um bando de revolucionários de Facebook! E, enquanto não entendermos que até hoje o Facebook só melhorou mesmo a vida de seu criador, Mark Zuckerberg, nossa cidade seguirá na mesma toada.

Comentários e curtis são bem vindos (rsrs!) em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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