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Roberto e Alessandro concluíram a Ultramaratona Caminhos de Rosa


Os guerreiros talvez tenham chegado perto do limite da resistência, mas em momento algum se entregaram e cruzaram a linha de chegada. Foto: divulgação

Definitivamente, encarar o desafio insano da Ultramaratona Caminhos de Rosa, não é para qualquer um. Que o digam os atletas Roberto Cardoso e Alessandro Rodrigues, da Equipe Rodrigues, que venceram as dores, o cansaço extremo, driblaram a poeira e o sol escaldante, mas conseguiram concluir a prova. Sim, eles venceram e foram merecedores dos aplausos calorosos do povo mineiro e do tapete vermelho estendido na linha de chegada. Foram 160 quilômetros, percorridos no sertão de Minas Gerais, desde às 8 horas de sexta-feira (6 de setembro), até às 20 horas de sábado (7 de setembro). Após 33 horas de prova, saindo de Morro da Garça, eles cruzaram a linha final, na cidade de Codisburgo, ao lado de outros seis atletas, que foram os “sobreviventes” da ultramaratona, de um total de 35 participantes. A dupla araucariense ainda fez mais: conquistou o 1º lugar na categoria ombro a ombro.

Para Roberto, a prova teve um nível de dificuldade altíssimo, com sol escaldante durante o dia, somado ao terreno com muita poeira, e umidade do ar baixíssima. “Pelo menos à noite a temperatura era mais agradável, mas como o dia judiava demais, não rendemos o planejado. Os primeiros 62km foram os mais pesados, e ali muitos atletas desistiram. O Alessandro passou mal, mas continuou em frente, e no primeiro ponto de apoio, conseguiu se recuperar”, relatou.

Na segunda parte da prova, a noite começou a cair, e dessa vez foi Roberto que começou a sentir algumas complicações, principalmente com os pés. Nada que fizesse a dupla desistir, seguindo durante a noite e a madrugada, tentando render o melhor que podiam. “A última parte da prova foi muito complicada, tendo em vista que meus pés já estavam muito debilitados. Os 30kms finais tive que realizar de chinelo, pois não tinha mais condições de ficar com o tênis. O Alessandro também teve oscilações, pois o calor estava demais e já estávamos muito debilitados, ainda assim, conseguimos manter o foco. A organização, mesmo vendo a situação que nos encontrávamos, em nenhum momento sugeriu que abandonássemos a prova. Todos nos apoiaram em tudo que pedíamos”, acrescentou.

Desistir não era a opção

Alessandro também comentou que a competição teve um grau de dificuldade além do esperado, mesmo assim, desistir nunca foi a opção da dupla. “Por ironia, não estava um dia bom pra corrida, o sol estava muito forte, temperatura de 38°, com sensação térmica de 46°. Estava pesado demais, tivemos dificuldade de impor ritmo, por volta das 13h de sexta-feira, quando estava no km 38, minha pressão baixou, tive enjôos, algo que eu havia comido não caiu bem, e sabia que se não jogasse pra fora o que estava no estômago, talvez piorasse e tivesse que abandonar a prova. Então provoquei o vômito, e minutos depois já comecei a melhorar. No entanto, a sensação de peso pra correr continuava, e tive a ideia de colocar roupas mais leves, e então consegui encaixar um ritmo legal”, descreveu.

A dupla seguia firme, mas o sol castigava muito, o pó cobria os pés, eles viam vários atletas desistindo, chorando, com cãibras. “Nesse momento, só uma coisa me vinha à mente: eu vou chegar! No fim da tarde, no km 79, sentimos um certo alívio, era metade da prova e o clima ia ficar mais agradável, com temperatura de 15°, foi onde encaixamos melhor o ritmo e tomamos distância dos demais. O céu limpo e estrelado, escuridão total, fomos noite adentro”, pontuou.

No km 127, Alessandro, Roberto e outro atleta, conseguiram passar dentro do limite do tempo de corte da prova, que encerrava as 7h, eles passaram às 6:58, quase caíram fora. Roberto com bolhas nos pés, e Alessandro com dores nos tornozelos, isso fez cair muito o rendimento da dupla, e a partir daí, eles contam que foi no sacrifício e na motivação, com pensamentos voltados a todos aqueles que os ajudaram e os apoiaram, isso lhes dava energia para continuar. “Andamos longos trechos, corríamos poucos metros. A organização, a melhor que pode se dizer de qualquer outro evento, estava sempre ao nosso lado. E assim chegamos, 160km, repletos de muitas dificuldades, altos e baixos, porque isso é ultramaratona”, comemorou Alessandro.

Todo esforço vale a pena

Foto: divulgação

Jair Marcondes Júnior, atleta da Equipe Rodrigues, também mostrou sua capacidade de vencer os limites do próprio corpo, ao cruzar a linha de chegada da Mizuno Uphill Maraton, a maratona mais cobiçada pelos atletas brasileiros, que aconteceu no dia 31 de agosto, na Serra do Rio do Rastro (SC). Ele descreveu a corrida como insana, e contou que enquanto se dirigia para o local da largada, descendo a serra de carro com sua família, que iria acompanhar sua chegada, muitas dúvidas e medo cercaram sua mente.

“No carro havia outros atletas que já tinham realizado a prova em anos anteriores e eles comentavam o quanto a serra era cruel com quem tentava desafiá-la, e isso acabou abalando meu psicológico. Mas chegando no local da largada, tentei abstrair os comentários e focar em quem estava torcendo por mim, encarei a serra e consegui”, festejou o atleta.

Texto: MAURENN BERNARDO

Publicado na edição 1180 – 12/09/2019

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