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Santa Maria, Mariana e Paris


Normalmente eu não utilizo este espaço para falar de assuntos que acontecem além Rio Barigui. Meu foco é sempre aquilo que se passa dentro dos limites de Araucária. Faço isso por acreditar que já há muita gente falando do mundo e nem tanta assim falando de nossa cidade.

Às vezes, no entanto, meus dedos coçam para meter o bedelho em assuntos mais, digamos assim, universais. Neste final de semana, por exemplo, me vi indignado com alguns comentários feitos em redes sociais e mesmo os ditos pessoalmente por alguns conhecidos meus com relação aos atos terroristas que vitimaram dezenas em Paris, na França.

A liberdade de expressão, princípio basilar da democracia, ao qual defendo ferrenhamente, de vez em quando, nos obriga a ouvir certas barbaridades. A que surgiu desde que terroristas ligados ao Estado Islâmico atacaram vários pontos de Paris condenou aqueles que se disseram enlutado pelas perdas na França. Comparações sem o menor sentido foram feitas. Houve os que disseram que os que acrescentaram as cores da bandeira francesa em seus perfis no Facebook não fizeram o mesmo quando da tragédia em Mariana, em Minas Gerais. Também teve quem afirmou que não devíamos ficar chocados pelo que aconteceu na casa Bataclan e em outros pontos da cidade luz porque os franceses não fizeram o mesmo quando do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria.

Comparações como essas mostram como há gente neste mundo, bem próximo de nós, aliás, com uma noção deturpada da sociedade. Ora, não há como comparar tragédias como a de Mariana e a de Santa Maria com o ataque de terrorista em Paris. Nos dois primeiros casos, em que se pese ter havido responsáveis pelos desastres, não houve ação deliberada para que vidas fossem tiradas. Ninguém foi lá na represa de Mariana com uma dinamite e a explodiu para os moradores da região morressem. Na Kiss, por sua vez, a banda que fazia o show não acendeu o localizador que iniciou o incêndio com o intuito de matar aquelas duzentas e poucas pessoas. Porém, no caso dos ataques do ISIS em Paris houve a intenção clara e manifesta de matar seres humanos em nome de uma falsa causa. Terroristas amarraram aos corpos explosivos, empunharam fuzis e saíram de suas casas com a intenção de matar o máximo de inocentes possível.

Então, você que criticou quem se mostrou chocado com os ataques em Paris, reflita um pouco mais sobre a diferença dos episódios. Tenho certeza de que, ao fazer isso, você também conseguirá chegar à mesma conclusão das pessoas normais. Ou seja, a de que toda vida perdida deve ser lamentada, mas as razões que levaram a essa morte é que definem o tamanho do nosso luto e de nossa indignação.

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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