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Segredos guardados


Tijolon que sirvindo de pé pra guarda-rópa do quarto sispatifô e móvel quase que encima da cama caiéndo, bém quando iéu no tercéro sono estando, ficô naquele cai-non-cai, só dando témpo de iéu se alevantar de cama de susto, que sórte que iéu téndo! as téia de aranha de tráis do guarda-rópa seguraron témpo suficénte pra iéu non morê com guarda-ropada na testa, se non morésse com péso de guarda-ropon de imbuia maciço que já uns cem ano téndo ia pará drénto déle esprimido na cama. Iéu non se alémbra quanto témpo téndo que tijolon segurava guarda-rópa, mais fói méu pai que ponhô despóis qui arancô pé do guarda-rópa pra acertar cabéça do Tio Dionízio que fazéndo estripulia com Mamai estando e zóia que pai morendo a mais de trinta ano. Acendéu lúiz do quarto pra vér tamanho do estrago quando percebéu dónde guarda-rópa estando encostado tendo uma porta. Porta? Iéu nunca imaginando na vida que téndo porta detráis de guarda-rópa! e se tém porta pra dónde qui iéla saiéndo? Fói matar curosidade e abrir porta escondida, forçô trinco, porta méio emperada estando, féis fórça com zómbro e porta cumeçando abrindo fazéndo baruio de drobadiça enferujada, fói forçando, forçando, forçando e quando pórta abrindo intéra saiéu uma núvem escura lá de drénto vuando encima da cabéça, um bando de morcego passando ventania fazéndo. Lá drénto de quarto secreto um bréu só, iéu percurô chave de luiz pra ligar non encontrando, claro, como iéu sendo buro, como que ia tér luiz no quarto secreto se iéu só ponhô energia elétrica em casa uns dóis ano fazéndo. Pegô lampeon pra ilumiar drénto de quarto secreto, iéra um quarto pequeno mésmo, um métro mais ou méno, cabéndo só uma ou duas pessoa drénto, iéu pensô, será qui antigamente, na falta de guarda-rópa, as muiér escundia os visitante antônimo no quarto secreto? Quando iéu zoiando pro chon do quarto, que surpréza!! ali estando o baú perdido, aquele baú que pai contava que sendo segredo do Vô Chico quando véio de Polónha e tinha escundido de tudo mundo pra ningué descubrir segredo e com certeza tinha monton de riqueza. Iéu cumeçando dar pulo de alegria, iéu rico estando!!! iéu rico estando!!! iéu rico estando!!!!. Fói abrir baú pra vér quanto óro téndo, mas cadiado non dechando, iéu coréu pro paiol buscar pé-de-cabra acordando ganso com os grito, iéu rico estando!!!! Iéu rico estando!!!! Iéu rico estando!!! No desespéro entruchô pé-de-cabra na fechadura os pedaço do cadiado vuaron lónge, méio tremendo fói abrindo o baú da felicidade, fói abrindo, fói abrindo, iéu inté suando de nervóso estando, ponhô lampeon pra ilumiar riquéza, quando zoiô pra drénto de baú…só vestidon preto, um cruchificho de madéra, um térço e uma bíblia enscrivinhada na capa; “Padre Francisco Duppa”. Desgracéra Mésmo!!! Enton iésta que sendo o segrédo do vô Chico? Bem, inté feliz ficando, proque se Vô Chico non tivesse segredo iéu non estaria aqui escrivinhando história e iésta sendo a minha maior riqueza!

 

 

Publicado na edição 1113 – 17/05/2018

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