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Seguimos não participando


 

Sempre acreditei (e continuo acreditando) que sangramos nossa democracia quando abdicamos de participar de momentos de discussão sobre demandas comuns de nossa cidade. É justamente por isso que saí menos feliz do que entrei de uma audiência pública realizada na semana passada no plenário da Câmara de Vereadores.

O tema em pauta era segurança pública, um assunto recorrente nas rodas de bate-papo de todos os moradores de Araucária, sejam essas rodas presenciais ou virtuais. Estavam presentes no plenário da Câmara autoridades municipais e estaduais, as quais são responsáveis pelo combate à criminalidade em nossa cidade. Era uma oportunidade, há muito não nos dada, de levar a essas pessoas nosso medo de sair para trabalhar e não voltar, vitimada por um assalto ou algo assim. Era o momento de relatar a nossa angústia de cada dia de ter a casa furtada enquanto estamos no mercado ou em outro lugar qualquer. Era o local adequado para externarmos nosso medo de ter um familiar envolvido com o mundo das drogas. Enfim, era o palco perfeito para tudo isso e, de novo, perdemos.

E perdemos simplesmente porque seguimos sendo incapazes de exercitar nosso direito a cidadania. Perdemos porque continuamos terceirizando nossas responsabilidades com esta cidade. Gostamos mesmo é de reclamar, de dizer que falta policiamento, que as polícias não vêm quando as chamamos, que pagamos impostos para nada e um monte de outros clichês comuns ao tema. Todos estes gritinhos, no entanto, não servem para outra coisa senão mascarar a nossa falta de interesse em colaborar com a resolução do problema.

E fazemos isso porque é sempre mais fácil achar que a culpa é do outro. É sempre mais cômodo não nos colocarmos como parte importante na resolução dos problemas que nos são comuns. Afinal, enquanto um problema complexo como a falta de segurança não é meu eu não precisarei conviver com as frustrações de não conseguir resolvê-lo. E, a sádica melhor parte, todas as vezes que houver um assalto ao meu vizinho, a notícia de que o filho de um amigo está envolvido com drogas e assim por diante eu poderei exclamar algo do tipo “onde este mundo vai parar?”, “e os políticos não fazem nada”, “tem que matar esses bandidos”, “e cadê a polícia que não vem”. Enfim, frases que não ajudam em nada na busca de uma solução para o caso, mas que pelo menos evita que eu tenha que me incomodar com o assunto. Não, pelo menos até que a casa roubada seja a minha ou que o filho drogado seja o meu. Triste realidade esta à nossa!

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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