Jesus, enviado do Pai, durante a sua vida pública, pregando a boa nova, às margens do mar da Galileia e das cidades vizinhas, foi o grande semeador do Reino de Deus. A parábola do semeador e da semente se refere claramente a ele, como aquele que veio para semear a Palavra de Deus no coração das pessoas. Fazendo uma análise, ele percebeu que a semente lançada por ele caiu em diversos terrenos; terreno duro, pedregoso, espinhoso e terreno fértil. O terreno é o coração das pessoas que ouviam a Palavra de Deus por ele anunciada. Muitos o ouviam, mas, não permitiam que a palavra tocasse o seu coração duro, frio, insensível; outros acolhiam com alegria a mensagem, mas como não tinham profundidade, porque o coração era pedregoso, logo se afastavam dela; outros ainda pareciam muito entusiasmados, mas o coração cheio de espinhos, ou seja, movido pelas paixões mundanas, sufocava e matava a semente. Mas tinha aqueles, terreno bom, que acolhiam a palavra de Deus e se deixavam guiar por ela, produzindo muitos frutos de paz, de amor, de justiça, de fraternidade.

Esta semente foi lançada no coração dos apóstolos, que a acolheram e, após a morte e ressurreição de Jesus, saíram pelo mundo anunciando-a com muita alegria e entusiasmo. Tornaram-se eles os semeadores do Reino, através de suas palavras, gestos e ações. Ao longo da sua evangelização, muitos corações duros a negaram e a rejeitaram; outros a acolheram e logo se afastaram dela, como corações pedregosos e espinhosos, por causa das tentações e atrações mundanas. Mas, tantos convertidos, tornaram-se verdadeiros cristãos, semeadores do Reino, a ponto de dar a sua vida por causa do evangelho de Jesus. E, graças ao testemunho dos apóstolos e dos primeiros cristãos, e, ao longo da história, a tantos cristãos leigos, sacerdotes, bispos, papas, ela continuou sendo semeada neste terreno que é o coração de cada pessoa. E até hoje, tantos semeadores entusiasmados e animados, continuam a semear, sabendo que muitas sementes não produzirão os devidos frutos.

Hoje, cada de um nós é chamado a ser semeador do Reino de Deus, mas, sabendo que muitos corações não estarão abertos para acolher esta semente. Nosso dever, nossa missão, é semear o amor, a justiça, o bem, a solidariedade, a paz, a fraternidade, mesmo que não saboreemos os seus frutos. Estes são os valores do Reino pregados por Jesus. Nunca me esqueço de uma cena que marcou a minha vida. Meu pai, já com idade avançada, plantou uma parreira. E eu lhe disse: ‘pai, o senhor está plantando esta parreira, mas provavelmente não vai saborear os seus frutos’. Ele me respondeu: ‘eu não estou pensando em mim, mas em vocês que vão se beneficiar dos seus frutos’. Foi mais ou menos assim a nossa conversa, que marcou a minha história. Neste mundo nós somos semeadores apenas, e o verdadeiro semeador, semeia pensando no bem dos outros e não em vista do seu benefício próprio.

Como semeadores do Reino, nossa missão é continuar semeando, mesmo que não desfrutemos aquilo que semeamos. Outros terão o prazer de usufruir. E aí está a beleza da nossa vida, ou seja, fazer tudo pensando no bem dos outros. Graças aos nossos antepassados, herdamos tantos benefícios que eles não tiveram a alegria de provar. Assim também, como semeadores do bem, do amor, da vida, da esperança, seremos lembrados, quando já não estivermos mais neste mundo. Não nos cansemos de semear coisas boas no coração das pessoas, sabendo que muitas não se deixarão tocar e mudar de vida, mas, tantas serão eternamente gratas e continuarão sendo semeadoras do Reino de Deus. E isso nos conforta!

Publicado na edição 1220 – 09/07/2020

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