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Após o governo do estado ter criado um comitê especial para definir como seria o retorno das aulas no Paraná, a polêmica em torno do assunto chegou em Araucária e tem gerado muita preocupação entre pais de alunos da rede municipal de ensino. Muitos afirmam que não deixarão seus filhos voltarem às escolas, diante da incerteza sobre o avanço do coronavírus. Alegam ainda, que o melhor para os filhos, nesse momento, é continuar o aprendizado em casa. Outra preocupação apontada pelos genitores é o fato de as crianças, mesmo seguindo os protocolos de limpeza e proteção, não entenderem muito bem a necessidade de seguirem à risca, as novas regras de higiene.

A secretária municipal de Educação, Adriana Palmieri, tranquilizou os pais ao afirmar que a rede municipal de ensino de Araucária não tem previsão de retorno das atividades presenciais. “Estamos aguardando as deliberações do Ministério da Educação, Secretaria de Estado da Educação e Conselho Municipal de Educação. Iremos aguardar que todos tenham segurança e que nenhuma criança/estudante e profissionais tenham problemas em relação à saúde. A Educação está se organizando sim, pensando em estratégias, estudando a possibilidade de adquirir equipamentos necessários para o retorno, mas por enquanto, não vislumbramos a volta para as escolas”, explicou Adriana.

Sobre a possibilidade de ser adotado o ensino híbrido (uma mistura entre o ensino presencial e propostas de ensino online) a secretária explicou que a discussão ainda é precoce e precisa ser muito bem planejada. “Nesse sistema o profissional terá que se desdobrar no seu trabalho, pois terá que ministrar aulas presencialmente para um grupo, organizar atividades remotas para outro. Isso me preocupa, estamos todos cansados e trabalhando muito. Não sei se o ensino híbrido é a saída, talvez seja válido para 6º ao 9º e ensino médio. É preciso se pensar muito”, acrescentou.

A secretária destacou outro ponto importante que vem ocorrendo dentro dessa nova realidade vivida pela educação. É que com a pandemia, a rede pública acabou recebendo muitos alunos que migraram da rede particular. “Desde março, recebemos 200 transferências, mas temos que ressaltar que além de alunos da rede privada, tivemos alunos que vieram de outros municípios. E outro fator que pode ter influenciado são as obras das novas unidades educacionais, que podem ter estimulado essa procura pela rede pública”, pontuou.

Rede estadual

Na rede estadual de ensino de Araucária, conforme adiantou o setor de documentação escolar, muitos colégios já receberam pedidos de transferências vindos da rede privada, mas o número exato de alunos ainda está sendo levantado.

Com relação ao retorno das aulas presenciais na rede estadual, também não há previsão. O governo do estado estuda alguns modelos que foram adotados por países que estão em processo de saída, um deles é o da redução do número de alunos por sala de aula. O problema é que o estado vem recebendo muitos alunos da rede privada, por isso, terá que fazer um grande planejamento, o que acarretará em impactos no orçamento. Nos últimos três meses, 9.500 alunos da rede privada migraram para a pública.

Texto: Maurenn Bernardo

Foto: Everson Santos

Publicado na edição 1219 – 02/07/2020

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