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Essa nossa vida pode ser comparada com uma viagem de trem, cujo maquinista é Deus e cada um de nós é um passageiro. Todos nós estamos de passagem aqui nesta terra e uma hora, o trem vai parar e o final da corrida vai chegar. Uns viajam pouco tempo; misteriosamente, alguns dias; outros alguns anos; tem aqueles cuja viagem pode passar de cem anos, mas todos independente do tempo, são apenas viajantes que estão de passagem por este mundo. Ninguém sabe quando esta viagem terá o seu final, mas, queiramos ou não, uma hora ela vai chegar. Feita de momentos bons, outros nem tanto, e outros talvez, difíceis e cheios de problemas. Uma viagem, pois a nossa morada por aqui é rápida, caminhamos todos para uma habitação eterna. Essa sim será definitiva.

Como peregrinos, diariamente somos chamados a parar e fazer uma análise daquilo que fazemos ou deixamos de fazer. Uma viagem consciente, que deverá ser pautada nos valores humanos e cristãos. Do contrário, poderemos viajar, sem saber o porquê viajamos e sem ter noção do nosso destino. Quantas pessoas são simplesmente levadas por seus impulsos e instintos, sem uma análise mais racional e reflexiva. Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve; quem, pelo contrário, pauta sua vida em razões mais profundas, toma as decisões de acordo com os seus sonhos e ideais.

Somos convidados a deixarmos um legado para as gerações futuras. Nenhuma vida é vivida em vão, mas cada vida tem uma razão de ser e de viver. Não é um simples passeio, mas, um compromisso com a construção de um mundo melhor. A grande pergunta sempre deve ser: ajudei a melhorar o ambiente por onde eu passei? Fiz a diferença com o meu jeito de conduzir aquele trabalho a mim confiado? Deixei marcas profundas e positivas em minha família, em minha comunidade e na sociedade? Pena que tantas pessoas não fazem perguntas e não aceitam interrogações, e, continuam sempre as mesmas. Oxalá nós sejamos lembrados pelo bem que fizemos e pelo amor aos irmãos, pelo tempo que dedicamos a quem de nós precisava, pelas palavras de conforto e de esperança que expressamos.

Nenhuma vida é inútil, sem razão de ser, como se fosse um atrapalho. Infelizmente, muitas pessoas fogem do confronto consigo mesmas, não se permitem olhar de frente e reconhecer a necessidade de mudanças. São pessoas que vivem se defendendo, justificando seus atos, culpando os outros, numa atitude de eternas vítimas. Quando alguém decide conduzir a sua vida, assume a responsabilidade que lhe compete na família, no trabalho, no meio que vive, e, busca sempre aperfeiçoar-se. Não culpa os outros, pelo contrário, se pergunta continuamente em como pode ser melhor e ajudar o mundo ao seu redor. Se cada um assumisse a sua vida como um compromisso, um dever, uma possibilidade de transformação, com certeza, deixaria marcas profundas e positivas, para sempre.

Como passageiros do trem que passa, que nos leva ao nosso derradeiro destino, não percamos tempo com o egoísmo, com o vitimismo, com a ganância desenfreada, com nossos interesses mesquinhos, com nossas contínuas e infundadas reclamações e murmurações. Mas, nos abramos ao amor, colocando a nossa vida a serviço de quem dela necessita. Sejamos servidores cada vez mais qualificados, oferecendo o melhor que temos, para deixar esse mundo um pouco mais humano. Seja a mudança que você quer. Comece por você, fazendo aquilo que lhe compete de modo único e insubstituível. Esse será o seu legado nesta terra.

Publicado na edição 1239 – 19/11/2020

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