Dia desses ouvi de um pré-candidato a vereador que Araucária precisava ter sim quinze vereadores. O sujeito me acusou de conspirar contra a ampliação das cadeiras. Disse mais: que eu estava a serviço de algum político local cujo interesse era manter o Poder Legislativo fraco, subjugado ao Executivo.

Embora tenha que respeitar a opinião do pré-candidato, não sou obrigado a concordar com ela. E, sempre que não concordo com algo, tenho a chata mania de teimar e, enquanto o diálogo permite, tento fazer com que meu interlocutor reflita melhor sobre algo.

E foi com esse intuito republicano que me pus a falar com ele. Comecei dizendo que, a independência do nosso Poder Legislativo não depende do número de ocupantes e sim do caráter e espírito público dos que lá estiverem. Disse mais, que – ao contrário do que ele estava pensando – mesmo com as vagas na Câmara permanecendo em onze continuaria havendo eleições normalmente. A sentença parece óbvia, mas não é. Digo isso porque tem pré-candidato aí que deposita sua única chance de se eleger caso as vagas na Câmara sejam ampliadas.

Ora, quão medíocre são alguns de nossos pré-candidatos. Sim, medíocres, pois eles não confiam no próprio taco na hora de pedir o voto ao eleitor araucariense e, diante da incapacidade deles, preferem apelar para uma espécie de “cota-vereador” para ver se conseguem se eleger.

Eu particularmente acredito que atualmente todos os pré-candidatos que defendem quinze cadeiras na Câmara não serão bons representantes do povo caso um dia se elejam. Digo isso porque, se agora, ainda sem mandato, eles não são capazes de ouvir a comunidade, que é totalmente contra essa ampliação, imagine quando estiverem eleitos? Com certeza vão mandar às favas o cidadão comum.

Do mesmo modo, me impressiona o discurso contraditório dessa turma. Primeiro, eles alegam que é preciso aumentar as cadeiras para renovar o parlamento. Ora, se é pra renovar o negócio é mudar os onze que estão lá e não mantê-los e colocar mais quatro, digamos assim, novos. Isso não é renovar, é inchar o parlamento, é dar um jeitinho na ganância por poder de alguns. Também é interessante ouvir de alguns que, com onze, não haverá mudança significativa na Câmara, pois o poder econômico ainda é o que prevalece nas eleições municipais. Que porcaria de argumento é esse? Quer dizer então que, aumentando pra quinze, teremos onze vereadores ricos e quatro pobres, é isso? Quem me garante, pensem comigo, que não teremos quinze vereadores ricos. Afinal, se o poder econômico é presente com onze, será presente com quinze também. Até porque, até onde eu sei, não existe uma “bolsa-vereador”, que reserva certa quantidade de vagas para candidatos pobres.

Interessante também é o fato de alguns pré-candidatos dedicarem boa parte de seu tempo a desmerecer o trabalho dos atuais vereadores, dizendo que eles são ruins, pregando renovação, afirmando que estão no Legislativo apenas com interesses financeiros, mas – num passe de mágica – esquecer-se de todos esses defeitos quando os edis passam a defender a ampliação das cadeiras na Câmara, passando todos a andarem de braços dados, pregando o bem comum. Mas não o nosso bem comum, o deles!

Ah, parei de falar do pré-candidato que era meu interlocutor no início deste texto porque no, meio da nossa conversa, ele bateu em meu ombro: “Waldiclei, você não entende. É o meu sonho ser vereador e saiu”. Sonho dele, pesadelo nosso!

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