ter. set 22nd, 2020

 

Nem sempre as causas que nos são apresentadas como nobres valem a pena. Em Araucária mesmo, infelizmente, é difícil encontrarmos uma briga boa de lutar sem que nela estejam embutidos interesses nada republicanos desta ou daquela parte.

É justamente por isso que, quando encontramos uma batalha legal de se lutar, precisamos encampá-la com unhas e dentes. Neste momento mesmo, a propósito, está acontecendo em nossa cidade uma contenda dessas. Trata-se da discussão acerca da destinação que a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) quer dar ao terreno que outrora abrigava a coudelaria Tindiquera.

Para quem não conhece, a área fica ali na região do São Sebastião. Abriga atualmente a sede “campestre” do CEPE e também de local de encontro do grupo de escoteiros Gralha Azul. Mais recentemente, por conta das obras de ampliação da Repar, foi erguido ali o auditório Zilda Arns, que atende principalmente a eventos internos da Petrobras.

A história da coudelaria, no entanto, é bem mais antiga e de uma importância histórica e cultural para nosso Município que é de enojar a destinação que a Repar quer dar ao local: o esquecimento, as ruínas.

Ao que se sabe, o desapego da companhia à área da coudelaria tem como razão contenção de despesas, ainda mais em tempos que a empresa tem revisto todos os seus gastos em razão dos escândalos de corrupção que quase a levaram à bancarrota nos últimos anos.

Embora seja salutar que a Repar esteja revendo procedimentos internos, cortando gastos e coisas do gênero, melhorando seus níveis de compliance, não é justo punir a história de Araucária em razão da corrupção institucionalizada que vimos na empresa ao longo dos últimos anos.

A área da coudelaria Tindiquera precisa ser mantida, recuperada, preservada e aberta à comunidade araucariense, pois ali está um pedaço importante de nossa história, que não pode ser considerado descartável em tempos de vacas magras.

A briga pela manutenção da coudelaria Tindiquera, porém, não pode ser uma briga somente de meia dúzia de pessoas que ainda tem em sua memória as lembranças de momentos felizes que passaram naquele local. A briga pela coudelaria precisa ser também de pessoas como eu e você, que nunca teve o direito de pisar naquelas terras, ou porque não era associado ao CEPE ou porque não participou dos escoteiros, entre outros motivos. Ou seja, a briga não é para mantermos aquele espaço. É sim para o ganharmos e o entregarmos aos seus verdadeiros donos: a comunidade de Araucária, que, mesmo sem ter noção da importância disso, precisa preservar e se apropriar de sua história.

E nesta briga pela coudelaria, temos um importante encontro marcado: uma audiência pública em que será discutida a destinação que a Repar quer dar à área. Ela vai acontecer em 16 de maio, a partir das 19h, no plenário da Câmara.

Anote aí na sua agenda e vá lá brigar pela história de nossa cidade!

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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