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Um ministério sem saúde e sem ministro


Um país do tamanho e da complexidade do Brasil precisa ter um Ministério da Saúde competente. Porém, o que vemos é uma enorme deformidade na condução deste órgão fundamental para a saúde dos brasileiros. Em menos de trinta dias, dois ministros saíram da pasta porque se recusaram a indicar a cloroquina no tratamento da Covid-19 e não se alinharam ao discurso genocida de Jair Bolsonaro.

Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ex-ministros da Saúde, nem de perto representavam alguma espécie de avanço para o sistema público de saúde do país, que precisa de investimento. Ambos defendem a privatização do SUS, mas nem mesmo com essa visão mercadológica da saúde foram capazes de concordar com os absurdos do antipresidente da República.

Agora o país está sem saúde, pois vem perdendo a guerra para o coronavírus; e sem ministro, já que nenhum médico sério é capaz de aguentar as interferências de Bolsonaro. Em meio a esse caos, o governo está buscando uma solução para cessar as mortes no Brasil? Não, o presidente está ocupado fazendo piada das mortes e dizendo que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”.

Outros países, que já estão retomando suas atividades econômicas após superar o pico da Covid-19, olham com atenção para o nosso país. Alguns já ensaiam como barrar a entrada de brasileiros em seus territórios, pois estão cientes do massacre que Bolsonaro está fazendo com a população e têm medo que possamos levar o vírus a outros locais.

Neste momento, em que mais de 18 mil dos nossos foram mortos pelo coronavírus e pelo ódio do antipresidente genocida, é preciso ter noção que o Brasil poderia ter enfrentado essa pandemia de forma diferente. O vírus chegou aqui um mês depois de ter se espalhado pela China e Itália, o que significa que poderíamos ter evitado o pior, pois poderíamos ter aprendido com a experiência de outros países.

Fez falta um Ministério da Saúde forte e independente, capaz de cuidar da saúde do povo e de ampliar o atendimento do SUS. Faltou um presidente da República minimamente responsável, que fosse capaz de superar o discurso eleitoreiro e realmente tivesse preocupado com medidas para proteger a vida da população.

Mais de 70 brasileiros morreram por minuto devido à Covid-19 na última terça-feira (19) e o Ministério da Saúde continua à míngua. Bolsonaro agora sonda Ítalo Marsili, que se intitula como psiquiatra mas não tem nem registro da especialidade na Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), para liderar as políticas de combate ao coronavírus.

Marsili é um médico bolsonarista, fã de Olavo de Carvalho e machista de carteirinha. Em vídeo publicado nesta semana, já que ele também se denomina como “youtuber”, chegou a associar a crise na democracia com o direito das mulheres ao voto. É com essa falta de bom senso e retrocesso que o Ministério da Saúde pode ser conduzido nas próximas semanas.

Enquanto isso, Bolsonaro ri das mortes e as autoridades que poderiam frear a crueldade do antipresidente fazem de conta que não é com eles. Em manifestação na semana da Enfermagem, os trabalhadores denunciaram em um cartaz, com citação do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, a forma como o Brasil lida com a pandemia: “Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue”.

Publicado na edição 1213 – 21/05/2020

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