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Um só corpo. Uma só comunidade


O nosso corpo é composto de muitos membros. Cada um deles tem uma função diferente e na diferença é importante para o bom andamento do todo. Se um membro está mal, todo o corpo se ressente disso. Quando dói o dente, é como se todo o corpo estivesse sentindo a dor. Podemos dizer que existe uma grande solidariedade entre os diversos membros. Quando todos os membros estão bem, o corpo exala um bem estar agradável e completo. Nós nos sentimos muito bem, em harmonia e equilíbrio.

São Paulo se serve desta imagem para falar da comunidade. Ela é composta de diversos membros, que são todos os batizados, e cada um deles é muito importante para o bom andamento do todo. Cada membro tem dons, valores e qualidades, que, colocados a serviço da comunidade, fazem com que ela respire vida e muito amor. Os primeiros cristãos viviam muito bem entre si, como se fossem um só coração e uma só alma. Partilhavam a palavra, o pão, dividiam os bens e não havia necessitados. Era uma comunidade ideal, à qual todos nós continuamos desejando e sonhando. Uma verdadeira harmonia, que se manifestava através de atitudes de respeito, de partilha e de solidariedade.

Aquilo que somos não é mérito pessoal, mas dom do Espirito Santo. Ninguém pode se achar superior ao outro, porque se alguém possui um carisma, é graça de Deus que deve ser colocado a serviço da comunidade. Se cada um compreendesse essa verdade, não se acharia melhor do que o outro, e, na humildade, partilharia gratuitamente aquilo que recebeu como dom do Espirito Santo. As invejas, os ciúmes, as brigas e discórdias na comunidade, são sinais de egoísmo e de fechamento em si mesmo. Quem se abre ao amor de Deus, não se considera maior do que ninguém, muito pelo contrário, valoriza e enaltece os dons e as qualidades presentes no irmão.

Na festa do Pentecostes, a vinda do Espirito Santo que anima, impulsiona, desinstala os apóstolos, afastando o medo reinante em seus corações, nasce a Igreja. Animados pelo Espirito Santo, eles partem em missão, batizando e criando novas comunidades. Eles sabem muito bem que ninguém se realiza sozinho, e ninguém pode guardar para si tudo aquilo que recebeu gratuitamente de Deus, mas deve colocar humilde e alegremente a serviço da comunidade. Assim também hoje, cada batizado é enviado em missão, colocando o que existe de melhor em sua vida, a serviço da construção de um mundo melhor. Que maravilha quando cada batizado entende esta dinâmica, e não faz do trabalho uma competição para ver quem é melhor, mas uma cooperação, onde todos tendem a ganhar.

Assim como o corpo é constituído de diversos membros, e cada qual com funções diferentes e essenciais para o bom andamento do mesmo, a comunidade também existe, porque constituída por pessoas, com diferentes dons e qualidades. Somos diferentes, e ali está a beleza de uma vivência comunitária. As diferentes ideias, visões e posicionamentos, não deveriam ser motivo de desentendimento, mas de complemento. Na diferença nos complementamos e nos realizamos como seres humanos, vivendo em comunidade. Na verdade, ninguém se realiza sozinho, nos realizamos juntos, partilhando alegrias, sonhos, esperanças e projetos. Sem comunidade seriamos como um membro desligado do corpo que seca e morre. Sem comunidade, secamos e morremos. Juntos nós somos mais fortes, porque guiados e iluminados pela presença do Espirito Santo.

 

 

Publicado na edição 1113 – 17/05/2018

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