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Uma corrida de quatro anos


Um verdadeiro teste para a paciência de qualquer araucariense é precisar de algum serviço dos Correios que careça nosso comparecimento físico, seja na agência da Praça da Matriz ou no centro de distribuição, ali na rua Major Sezino.

Nos últimos, após muito me enrolar, me obriguei a ir ao centro de distribuição, já que lá estaria uma correspondência que o senhor não conseguiu me entregar após três tentativas. Com corpo e mente preparados para esperar algum tempo na fila, lá fui eu.

Para meu azar, eu era o nono da fila, o que significa dizer que pelo menos demoradas meia hora eu passaria esperando ali. Confesso que o tédio já estava começando a tomar conta da minha mente quando senti alguém bater em meu ombro. Olhei para trás e lá estava ele: um ex-vereador de nossa municipalidade.

Cumprimentos feitos e começamos a conversar sobre o cenário político local. Eu mais ouvia do que falava. Ele então se empolgou a tecer análises sobre o modo como o chefe do Executivo vem conduzindo o Município nestes quase onze meses de governo. Eu só observava.

Na opinião dele, a gestão atual é catastrófica. No entendimento dele, o prefeito Hissam Hussein Dehaini (PPS) conseguiu queimar a gordura eleitoral que trouxe das urnas ao longo deste primeiro ano de mandato.

Do mesmo modo, em relação ao Poder Legislativo, na visão do ex-vereador, a atual legislatura também é ruim, conseguindo ser “pior do que a passada”, em palavras, numa confissão quase poliana de que a Casa também era um porcaria quando ele era um de seus integrantes.

Meio que sentindo que aquela conversa já estava virando um monólogo, ele me questionou: e você, não diz nada? Sim, digo! Esta é a quarta gestão que acompanho em Araucária e uma das coisas que aprendi é que, como diria um político conhecido de nossa cidade, um mandato é uma “carrera” de quatro anos, seja o ocupante do cargo o vereador ou o prefeito.

O que quero dizer com isso. Quero dizer que é ingênuo aquele que condena ao sucesso ou ao fracasso uma gestão, seja ela legislativa ou executiva, com onze meses de mandato. Ainda é muito cedo para fazer qualquer tipo de análise mais consistente de quem está fazendo um bom trabalho, seja ele o prefeito ou os onze vereadores.

Já vi aqui em Araucária, por exemplo, vereadores que se julgavam imbatíveis nas urnas, legítimos defensores dos anseios do povo e que tiveram um desempenho medíocre nas eleições simplesmente porque não souberam entender qual o tempo de plantar e qual o tempo de colher suas ações.

Regra semelhante vale para o Executivo. Tenho para mim que um governo que se desgasta ao longo de sua primeira pernada em razão da adoção de medidas impopulares, mas que lhe darão fôlego para concluir a prova com o peito em riste no que diz respeito aos serviços considerados realmente importante para o cidadão comum, é um governo inteligente. Isto, claro, se as ações estiverem sendo feitas com esse objetivo. Agora, se os desgastes forem fruto de mera imperícia dos donos dos mandatos, o fracasso é certo.

Finalizando minha fala, o ex-vereador me olhou e indagou: você então quer dizer que o governo está indo bem? Quando eu me pus a responder a pergunta, ouvi o “próximo”. Era a mulher do guichê dos Correios me chamando. Conversamos outra hora, disse para o ex-vereador. Me despedi e fui lá pegar minha encomenda.

Comentários são bem vindos em www.opopularpr.com.br. Até uma próxima!

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