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Uma dose de polêmica

Através do site www.opopularpr.com.br, os leitores podem registrar sua crítica, sugestão, ou até elogio sobre publicações deste periódico. Há aproximadamente 2 anos, tenho me dedicado a escolher assuntos para abordar nesta coluna semanal e o faço procurando despertar a atenção dos leitores sobre assuntos que julgo importantes. Faço isso sem conscientemente almejar benefício para uma ou outra corrente política ou mesmo para a fé que cada um de nós tem, ou deixa de ter, nas diferentes abordagens espirituais adotadas em um país livre. Ajo assim porque percebi, após ter percorrido uma caminhada relativamente extensa, que a verdade pode ser vista de ângulos diversos. Ou, ainda, que ela pode ser solenemente desprezada por variados motivos de ignorância como a preguiça e a soberba. É preguiçosa a atitude daqueles que repetem o que assistem na TV ou aquilo que ouvem dos ditos formadores de opinião, sem qualquer reflexão à luz da própria realidade pessoal. Identifico a soberba no caso dos que acreditam piamente serem concessionários exclusivos da verdade e não aceitam submeter suas crenças a questionamentos mais profundos. Visitando o site do O Popular, me causou admiração ver os comentários de que são alvo as colunas do Waldiclei, publicadas na edição de terça-feira. Não foi inveja o que senti. Satisfaz-me suficientemente os amigos leitores que vez ou outra afirmam acompanhar o que escrevo. Mas, até para ver se receberei contestações ou apoios, parto para a polêmica com a seguinte afirmação: mesmo contrariando a corrente de opinião dominante, sou a favor da implantação da CPMF. Não vejo como eu possa ser contra, sabendo do déficit crônico apresentado pela Previdência Social e reconhecendo a visível melhora da vida dos brasileiros desde a expansão dos benefícios previdenciários. Sou natural de Canguçu, um pequeno município do interior do RS conhecido por apresentar o maior número de pequenas propriedades rurais no Brasil. Lá, constatei que o pagamento das aposentadorias aos trabalhadores rurais melhorou a vida dos moradores de forma muito consistente. Os beneficiários de forma direta e os demais pelo aumento da riqueza circulante, assim como deve ter havido em todos os municípios do território nacional. Não pretendo apoiar o coro dos grandes empresários que reclamam que a CPMF aumentará seus custos, pois sei que eles repassarão este aumento ao que vendem. Além do mais, aproximadamente metade dos brasileiros não tem conta em banco e somente pagarão a CPMF de forma indireta, sofrendo apenas o pequeno impacto que haverá na taxa de inflação. Devem mesmo se preocupar com a volta da contribuição aqueles que movimentam recursos que escaparam de outras formas de tributação e que sabem que não poderão fugir da CPMF. Diminuir a corrupção, já que é impossível eliminá-la, garantindo uma melhor aplicação dos impostos que já pagamos deve ser sempre a meta da nação. Enquanto isso não ocorre de forma satisfatória, prefiro ter que conviver com a CPMF do que retornar ao tempo em que os idosos e incapacitados profissionalmente ficavam sem assistência. Penso até que um imposto único, em moldes semelhantes aos da CPMF, seja socialmente mais justo. Aceito sugestões para aprofundar este debate, que é fundamental para o futuro do país.

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