Convido você a refletir comigo o real sentido de ser empático, de ser solidário, de ter respeito ao outro nessa época tão atípica de nossas vidas, numa época em que estamos nos reinventando, nos adaptando a situações que nunca imaginávamos que iríamos vivenciar, pois o que está posto é isolar- se, viver ou morrer, o que não nos deixa muitas escolhas.

Quero abordar aqui esse assunto principalmente no que se refere a vida , o cotidiano de pessoas com limitações, com deficiências e no caso aqui, hoje falarei especificamente de pessoas com deficiência auditiva e de surdos.

Sabemos que não é fácil ter uma deficiência, ainda vivemos numa sociedade que busca um padrão de normalidade e de beleza e eu diria até discriminatória quando isso não é real, sendo necessário muitas vezes lutar por direitos e espaços que já deveriam estar intrínsecos dentro do ser humano. Ter que brigar, lutar e se desgastar para que o outro o respeite pelo que você é e não pelo que ele gostaria que você fosse é no mínimo irracional. Imaginando que, se todos fôssemos iguais, se nossos pares e objetos fossem iguais, que monotonia seria, não haveria sentido de buscar o que me falta no outro, de conceber espaços e paixões, pois não haveria diferenças, a igualdade nos levaria ao marasmo e com isso à acomodação.

Pensando nisso, ser surdo, muitas vezes, significa não entender o que o outro fala, não saber o que está sendo dito, é perder a piada, é perder a dica, a informação, é deixar que os outros tomem decisões alheias a sua vontade e, nesse momento histórico de pandemia, qualquer informação é valiosa para a compreensão de cuidados básicos quanto ao CORONAVÌRUS (COVID-19) contribuindo para o autocuidado, manutenção da vida.

O surdo percebe o mundo pelos olhos, se comunica por meio da língua de sinais ou oralizando, assim, expressões faciais e corporais podem representar um sujeito ou objeto, emoções e coordenar o fluxo de uma conversa. Dito isso, questiono, como está acontecendo essa comunicação. Como as informações têm chegado às pessoas com surdez? Nesse período em que o mundo foi acometido por uma pandemia, onde o uso de máscaras é obrigatório, o isolamento é a melhor maneira de controle da doença, e as notícias são transmitidas por pessoas usando máscaras e a pessoa com deficiência auditiva e o surdo não têm como visualizar o que o outro está dizendo, pois as emoções estão encobertas e não há muitas possibilidades de adivinhar o que está acontecendo. Conseguimos nos colocar no lugar da pessoa com essa dificuldade? Será que me preocupo em ajudar meu colega a entender de maneira eficaz o que está acontecendo no mundo?

O questionamento não é sobre o uso de proteções e precauções (importantíssimas nesse momento) mas sim do seu comportamento para com o outro, da sua atitude, se ela é altruísta usando diversas alternativas de ajudar a pessoa com deficiência, ou sou egoísta, pensando só em sí?

São essas as reflexões que proponho a você!

Já ouvi que em alguns lugares estão fabricando máscaras que são transparentes, deixando a mostra o rosto dos interlocutores, facilitando assim a visualização da informação, no entanto isso é uma prática minoritária ainda, infelizmente. Por outro lado, que bom que já se tem algumas iniciativas.

Respeitar a condição do outro, zelar pela vida de todos não é algo impossível. A única coisa que peço é: encontre uma maneira eficaz de se comunicar com os surdos, não deixe eles à margem de situações que você não gostaria que acontecesse com você ou seus familiares, seja empático!

Texto: Carla Razini com contribuição de Adriane Sbrissia – Departamento de Educação Especial – 2020

Publicado na edição 1220 – 09/07/2020