Diariamente, entre um atendimento e outro, um cumprimento de processo aqui e outro acolá, eu e meus amigos do Fórum conversamos sobre os mais variados assuntos. Falamos sobre a atuação de Antônio Fagundes em Velho Chico (que é péssima, em minha opinião). Discutimos sobre algumas cenas de Liberdade, Liberdade. Questionamo-nos quem viu o convidado de Fátima Bernardes em Encontro e, obviamente, falamos de política. E não só a política local. Sabidos que somos, abordamos a política estadual, nacional e até internacional. Somos praticamente cientistas políticos…#sqn!

Mas, dia desses, durante uma discussão sobre as eleições municipais que estão por se iniciar, me perguntaram se já havia uma definição sobre quem seriam os candidatos a prefeito. Antes de responder, uma colega falou mais: “que candidato a prefeito o quê, quero saber é quem serão os vices. Depois dessa história do Temer, ninguém pega meu voto antes de eu analisar o vice”. Como não poderia deixar de ser, uma gargalhada irrompeu a sala e, pensando agora, nem lembro direito como se deu a continuidade da conversa.

Mais tarde, ao chegar a minha casa, retomei mentalmente aquela conversa. Historicamente, essa atenção ao nome do vice nas chapas presidenciais já deveria ser um fator decisivo na hora de escolhermos nossos candidatos. Afinal, já tivemos outros dois vices que acabaram assumindo o comando do país depois do término do período militar. José Sarney ficou com a vaga do falecido Tancredo Neves e Itamar Franco com o posto do impedido Fernando Collor.

Em Araucária, no entanto, os vices nunca foram tão importantes assim. Seus papéis foram muito mais de protagonizar brigas e rompimentos com os prefeitos do que qualquer outra coisa. Vejamos as últimas administrações. Rizio sempre escanteou Dirlei entre 1997 e 2000. Zezé nunca foi próximo de Olizandro entre 2001 e 2004, tanto é que Olizandro quando teve a chance tirou de cena Albanor naquela eleição. Entre 2005 e 2008, Olizandro não só ignorou como rompeu publicamente com Clodoaldo. Entre 2009 e 2012 tivemos um hiato nestas confusões entre prefeito e vice, com Zezé convivendo complementarmente com Isac Fialla. Agora, nesta administração, temos Olizandro e Rui e, como todos sabemos, a relação entre ambos é só protocolar, sendo que o principal papel de Rui é ir representar o prefeito a eventos considerados de menor importância.

Essa falta de cumplicidade (para o bem, deixemos claro) entre prefeito e vice na terra dos pinheirais, obviamente não contribui em nada para o bem de nossa cidade. Aqui, como em todo o resto do país, as composições são feitas muito mais visando a obtenção de tempo de televisão ou de uma chapa mais vistosa do que qualquer outra coisa. E isso não deve ser diferente nestas eleições. Por mais que as chapas queiram nos fazer crer, reparem só como não haverá simbiose, projeto político, convergência de ideias entre candidatos a prefeito e vice. A situação aqui é tão deprimente que veremos, anotem aí também, postulantes ao cargo de prefeito enxergando seu vice como uma maldita mala sem alça que eles precisarão carregar durante as eleições.

Então, infelizmente, se formos mesmo levar em conta a parceria entre candidatos a prefeito e a vice para decidir em quem votar em 2 de outubro, invariavelmente acabaremos optando por uma outra dobrada em frente à urna eletrônica: branco ou nulo. Essas opções, no entanto, nunca foram e nunca serão a “menos pior” alternativa para nossa cidade.

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