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Viver em contínuo agradecimento

No tempo de Jesus, a lepra era uma doença incurável e estava associada ao pecado. O leproso tinha que viver fora da comunidade e excluído de toda atividade social e gritando, por onde passava: sou impuro, sou impuro, sou impuro. Ninguém podia se aproximar dele porque o simples toque tornava a pessoa impura também. È por isso, que o texto do evangelho apresenta os 10 leprosos dizendo que pararam bem longe e gritaram: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós. Jesus manda-os então se apresentar aos sacerdotes. Mas aconteceu que no meio do caminho todos eles ficaram curados. Seria natural que todos eles voltassem alegres e, entusiasmados, corressem ao encontro de Jesus para agradecer pela cura. No entanto, apenas um deles, que era samaritano, voltou.


Desde pequenos nossos pais nos educaram a dizer muito obrigado, diante de um presente recebido, ou de algo bom feito a nosso favor. Se ficássemos indiferentes, era normal ouvir deles estas palavras: ‘como se diz?’ e a gente respondia, nem sempre com convicção e alegria: ‘muito obrigado’. Muitas vezes era algo forçado e obrigatório, mas no final, acabávamos agradecendo. Diante de um gesto positivo de outra pessoa a nosso favor, sem reconhecermos o bem realizado, costumamos dizer: ‘mas é um mal agradecido’.

A gratidão requer humildade, porque a pessoa agradecida reconhece o bem realizado pelo outro, e a sua incapacidade de fazer todas as coisas. Agradecemos porque percebemos que necessitamos uns dos outros, e não somos autossuficientes. Em primeiro lugar, e, acima de tudo, glorificamos a Deus, porque ele nos criou e nos dotou de todos os dons que possuímos. E tudo o que existe na face da terra é obra do seu amor em prol da nossa felicidade. Ele é o Senhor de toda a criação e criou tudo com muito amor, colocando todos os bens da natureza a nossa disposição e para a nossa realização.

Para agradecer, a primeira coisa é perceber o que há de positivo na vida. Não deixar de maravilhar-nos diante de tanto bem: o sol de cada manhã, o mistério de nosso corpo, o despertar de cada dia, a amizade das pessoas, a alegria do encontro, o prazer, o descanso reparador, a música, o esporte, a natureza, a fé, o lar. Não se trata exatamente de viver com espírito observador, mas de estar atentos para acolher o lado bom, positivo da vida, em nós e nos outros. Diariamente, são tantos os motivos para levantar os olhos a Deus e dar graças.

Para viver de maneira agradecida é necessário reconhecer a vida como boa: olhar o mundo com amor e simpatia; purificar o olhar carregado de negativismo, pessimismo e indiferença para apreciar o que há de bom, belo e admirável nas pessoas e nas coisas. Quando São Paulo diz que ‘fomos criados para louvar a glória de Deus’, está dizendo qual é o sentido e a razão mais profunda de nossa existência. No episódio narrado por Lucas, Jesus estranha que só um dos leprosos volte ‘dando graças’ e ‘louvando a Deus’. É o único que soube surpreender-se pela cura e conhecer-se agraciado.

Diariamente, temos tantas razões para agradecer. Não percamos nunca a oportunidade para dizer: muito obrigado. O coração torna-se mais leve e a vida assume então um colorido mais positivo, animado e entusiasta. Somente quem agradece, reconhece a grandiosidade de Deus. Tudo é dom e graça de Deus. Ao acordar pela manhã, que nossas primeiras palavras sejam de gratidão por mais um dia, e, ele será, com certeza, um bom dia.

Publicado na edição 1184 – 10/10/2019

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