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“Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8)


Nascemos iguais, filhos do mesmo Pai e com o mesmo objetivo: sermos felizes. Não importa se somos brancos ou negros, pobres ou ricos, europeus ou africanos, todos temos a mesma dignidade diante do nosso Criador, Deus Pai. Ninguém é maior do que ninguém; ninguém tem mais direitos do que ninguém; ninguém pode se sentir dono de ninguém. A igualdade nos torna irmãos, lutando juntos por um mundo melhor, onde reine o amor, a paz, a justiça e a misericórdia. Viemos sem nada a este mundo e um dia voltaremos sem nada para a eternidade, esta é a grande verdade. Mas se a lógica é esta, porque existem tantas diferenças, tantas desigualdades, tanta intolerância entre os seres humanos?

A Campanha da Fraternidade de 2018, que se iniciou na quarta-feira de cinzas e vai até o domingo de Ramos, reflete sobre a Superação da Violência e tem como lema: ‘Vós sois todos irmãos’ (Mt 23,8). Através do texto base, procura entender as causas da violência, que não nos torna iguais e nem irmãos. Na primeira parte, quando fala do VER, ou seja, as causas da violência, nos mostra que ela é cultural, institucional e direta. Tem sua origem na história, desde quando o ser humano se conhece por gente, e tem também como causa, a desigualdade econômica e as políticas públicas que não levam em consideração os mais carentes e necessitados. Na segunda parte, procura JULGAR, ou seja, analisar esta realidade à luz do Antigo Testamento, do Novo Testamento e do Magistério da Igreja. Quer mostrar que a criação é perfeita, e no final Deus viu que tudo era bom. Os profetas denunciam a opressão e anunciam a paz e a justiça. Jesus também ensina o amor e a misericórdia, nos deixa a sua paz e perdoa os seus inimigos. O magistério da Igreja, sobretudo através do documento Vaticano II, fala da cultura do diálogo. O papa Paulo VI cria em 1968 o dia mundial da paz e em Assis, no ano de 2002, os chefes do mundo inteiro criam o decálogo da paz. Podemos ver que tudo converge para a paz. E por fim, diante da realidade tão violenta, de tanto racismo, preconceito, intolerância, o texto base nos apresenta no AGIR, algumas ações concretas para a superação da violência. Ações no âmbito pessoal e da família; no âmbito pastoral; na comunidade e na sociedade. O texto base é bastante rico e esclarecedor, tendo como principal objetivo, construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da conciliação e da justiça.

Como cristãos ou homens e mulheres de boa vontade, somos chamados a sermos construtores da paz, contra todo tipo de violência, seja consigo mesmo, com o outro, na família, na comunidade ou na sociedade. Somos todos irmãos, e seguindo o exemplo de Jesus, que veio para trazer a paz, nos comprometemos a defendermos os direitos de todos os cidadãos, na busca de um mundo mais irmãos. As realidades de violência que nos cercam são tantas. Vivemos num mundo de tanta insegurança. Nas cidades grandes, o medo está estampado no rosto das pessoas. A intolerância, o preconceito, o ódio por quem pensa diferente, está muito impregnado no coração das pessoas. Que fazer diante deste quadro, desta situação tão caótica e deprimente? Não podemos ser tão ingênuos de pensar que a solução seja fácil e mágica. A violência sempre acompanhou os povos durante toda a história. Sempre existiu nas sociedades, nas comunidades e na família. Talvez não em tamanha proporção como nos tempos atuais. No entanto, diante da impotência de tão grande problemática, não podemos ficar indiferentes e dizer que isso não tem nada a ver comigo. Cada gesto de amor, de acolhida, de respeito ao diferente, de ternura, de misericórdia poderá fazer toda a diferença. Sejamos, cada um de nós, construtores da paz e do amor.

 

Publicado na edição 1100 – 15/02/2018

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